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Quando 'pedir desculpas' não é um sinônimo de ser educado: reflexões para a área da Educação

Foto do escritor: Pedro Brandão
Pedro Brandão
26 de jun. de 2023
3 min de leitura

Hello, pessoal, Tudo bem?


Hoje gostaria de propor uma reflexão sobre o 'ato de pedir desculpas' na área da Educação. Em nossa sociedade, fomos condicionados a acreditar que pedir desculpas é um sinal de educação, respeito e humildade. No entanto, tenho pensado na importância de considerar que, em certas situações, esse gesto pode ser um indício de medo, submissão e insegurança, especialmente no contexto educacional.


Enquanto buscamos criar um ambiente seguro e acolhedor nas escolas e instituições de ensino, é essencial reconhecer que nem sempre o pedido de desculpas é uma demonstração genuína de responsabilidade e crescimento pessoal. Muitas vezes, pode ser uma resposta automática baseada no medo das consequências ou na pressão social. Já parou para pensar sobre o seu "me desculpe, mas..." quer dizer de fato?


Ao estimular uma cultura em que pedir desculpas é considerado a única resposta aceitável, corremos o risco de silenciar vozes e desencorajar a expressão autêntica de sentimentos e ideias. Podemos sentir que nossas opiniões não são valorizadas ou que é mais seguro conformar-se às expectativas que nos são impostas. O mesmo princípio se estende aos estudantes que, assim como nós educadores, podem sentir-se constrangidos em assumir riscos e experimentar abordagens inovadoras de ensino, temendo possíveis erros ou críticas.


Nessa dinâmica, o pedido de desculpas pode ser utilizado como uma forma de evitar confrontos ou evitar lidar com as causas profundas de um problema. Torna-se uma máscara conveniente que esconde a insegurança, a falta de confiança e o receio de enfrentar as consequências de nossas ações. Mas afinal, de que adianta tanta capacitação e a formação continuada na nossa vida profissional?


É fundamental repensar nossa abordagem em relação ao pedido de desculpas, sobretudo na área da educação. Em vez de valorizarmos ou esperarmos apenas o gesto em si, devemos incentivar um ambiente de respeito mútuo, autoreflexão, diálogo aberto e autenticidade. Muito se tem falado sobre a escola como um espaço de formação de seres pensantes e críticos, então precisamos nós também exercitar essa habilidade. No meu entendimento, devemos promover a reflexão sobre os erros cometidos como oportunidades de aprendizagem não só aos estudantes, mas para todos que coexistem numa comunidade de aprendizagem. Precisamos encorajar os estudantes e educadores a expressarem suas preocupações, a levantarem questões e a contribuírem para a construção conjunta de soluções.


No entanto, é importante ressaltar que reconhecer erros e aprender com eles continua sendo uma parte essencial do processo educacional, tanto para os aprendizes, quanto para as famílias e todos os profissionais da escola. Isso é muito diferente de pensar que precisamos nos desculpar sempre que nossa ação for diferente daquilo que achamos que o outro espera da gente. Devemos buscar um equilíbrio entre a responsabilidade pessoal e a construção de um ambiente seguro, onde a vulnerabilidade seja acolhida e assegurada a todos os envolvidos, afinal, somos todos seres humanos.


Por fim, convido vocês a repensarem a relação entre o pedido de desculpas, o medo, a submissão e a insegurança na área da educação. Vamos trabalhar juntos para criar ambientes de aprendizado autênticos, onde a expressão livre de pensamentos e emoções sejam valorizadas e a responsabilidade pessoal seja equilibrada com a busca por soluções coletivas e autodesenvolvimento sustentável e humano.


Nota editorial: este artigo foi publicado originalmente em LinkedIn em junho de 2023 e foi republicado aqui como parte do acervo de textos do Mr. Brandão.

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